O medo de viver, de se entregar, de amar sem restrições fez com que preferíssemos nos entregar ao tempo, que para nós covardes, é o melhor remédio para esquecer tudo. E o medo de viver é tão grande que preferimos apagar as páginas, do que ter o trabalho de escrever outras. Temos muito em comum, mas temos o mundo que nos separa.

Se temos o mundo entre nós, ainda temos os nós que nos seguram. Todos temos aquilo que não nos motiva mais,temos algo em comum sem saber. Se fugimos em trabalhos noite a fora, temos ainda mais coisas em comum do que pensávamos. Se mergulhamos em responsabilidades para não termos tempo pra mais nada… Temos ainda mais em comum do que imaginávamos …

Mas a vida nos faz cada dia mais distantes quando o dia acaba… Porque queremos ser tudo, mas ainda somos tão nada …

“(…) barcos estão naufragando na tentativa de unir nossos mundos ainda separados por esse atlântico todo (…)”

… Que não nos damos o prazer de compartilhar essa vida juntos, continuamos criando muros e destruindo pontes… No nosso caso, barcos estão naufragando na tentativa de unir nossos mundos ainda separados por esse atlântico todo… um oceano de ilusões…

Mais uma vez…

Temos a oportunidade de estar juntos, mas temos tempo para fugir com medo de tudo que esse sentimento traz. Se temos um ao outro por um instante no pensamento, varremos os rastros do perfume que invade o peito, com medo da velocidade com que o coração bate. Por que somos assim? Tão diferentes e tão iguais, e ainda nos tratamos como estranhos! Temos tanto em comum e tão pouco assunto.

“Temos a voz, mas ela se cala (…)”

Se a confusão é tão grande é culpa do sentimento que nasceu e já enraizou. Temos a voz, mas ela se cala… A palavra engasga e arranha a garganta… Ela fala, conversa, argumenta… Só em pensamento… Querendo dizer tudo e não dizendo nada… O tudo e o nada estão tão presentes em nossa vida que acabamos não vivendo nada, e ficamos esperando o tempo nos fazer esquecer tudo.

Por: Iara Fonseca

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