Durante muito tempo, um brinquedo íntimo foi visto como coisa para quando se está sozinho, e quase como um substituto. A ideia de o levar para a relação ainda deixa muita gente desconfortável: e se o outro achar que não chega? Um estudo publicado em 2025 sugere que a pergunta talvez esteja mal feita.
Em maio de 2025, uma equipa de investigadores italianos publicou no Journal of Sexual Medicine uma análise a 361 mulheres entre os 18 e os 35 anos, todas em relações heterossexuais. O objetivo era perceber se fazia diferença usar estes produtos sozinha ou com o parceiro.
O que o estudo comparou
As participantes foram recrutadas online entre maio e junho de 2023 e responderam a questionários validados sobre função sexual, intensidade do orgasmo, ansiedade e depressão. Os autores compararam dois grupos: as mulheres que usavam brinquedos também com o parceiro e as que os usavam só a sós.
As primeiras relataram mais excitação, mais satisfação sexual e uma intensidade do orgasmo maior nas relações a dois. Já as que usavam os brinquedos só a sós relataram orgasmos mais intensos na masturbação. Em ansiedade, depressão e preocupação com o futuro, não houve diferenças entre os grupos, o que contraria a ideia de que quem usa estes produtos o faz por algum problema.
Há dois cuidados na leitura. O estudo mostra uma associação: não prova que o brinquedo aumente a satisfação, e pode ser que casais mais satisfeitos estejam mais abertos a experimentar.
O segundo cuidado: o estudo compara mulheres que já usam brinquedos entre si, não com quem nunca usou. Ainda assim, é um dos poucos trabalhos recentes a olhar para o uso a dois em particular.
Um hábito mais comum do que parece
O receio de que um brinquedo «substitua» o parceiro também não encontra apoio nos números mais antigos. Em 2009, dois estudos da Universidade de Indiana, com amostras representativas da população norte-americana, concluíram que 52,5% das mulheres e 44,8% dos homens entre os 18 e os 60 anos já tinham usado um vibrador, sozinhos ou a dois. Em ambos os estudos, quem o tinha usado recentemente apresentava melhores resultados na maioria das medidas de função sexual.
São dados de outro país e de outra década, mas mostram que esta é uma prática comum, e não um sinal de crise na relação.
A novidade como ingrediente do desejo
Uma explicação possível vem da psicologia das relações. Uma série de estudos liderada pela psicóloga Amy Muise, publicada em 2019 no Journal of Personality and Social Psychology, acompanhou casais em relações longas durante semanas. Nos dias em que faziam atividades novas juntos, os casais relatavam mais desejo sexual, e esse desejo estava associado a mais satisfação com a relação.
Um trabalho do mesmo grupo, de 2022, acrescentou um pormenor curioso: a novidade ajuda a «ver o outro com outros olhos», e isso também alimenta o desejo.
A novidade não tem de ser um objeto. Pode ser um fim de semana diferente, uma conversa que nunca tiveram ou uma peça de lingerie sensual escolhida a pensar no outro. Um grande inquérito norte-americano publicado em 2017 no Journal of Sex Research, com mais de 38.000 pessoas em relações longas, encontrou mais satisfação entre quem cuidava do ambiente, variava a rotina e falava sobre sexo.
Como falar disso sem tornar a conversa estranha
Se há um fator que os estudos repetem, é a conversa. Uma meta-análise publicada em 2022 no Journal of Family Psychology, que reuniu 93 estudos e mais de 38.000 pessoas, concluiu que a comunicação sexual está associada a mais satisfação sexual e com a relação. E conta mais a forma como se fala do que o número de vezes que o tema surge.
Algumas ideias que ajudam a começar:
- Falar fora do quarto, num momento calmo, e não a meio de uma situação íntima.
- Começar pela curiosidade («já pensaste em…?») em vez de um pedido.
- Deixar claro que é uma proposta, não uma queixa sobre o que existe.
- Aceitar um «agora não» sem insistir, e voltar ao tema mais tarde.
Escolher a dois
Ver juntos, no sofá, o catálogo de um sex shop online transforma a compra numa parte da experiência. Para um primeiro produto a dois, faz sentido começar pelo simples: um modelo pequeno, de silicone, resistente à água e silencioso, com intensidade ajustável, fácil de usar pelos dois. Um lubrificante à base de água completa a compra, porque é compatível com todos os materiais e com preservativos.
Na Luxos Eróticos, por exemplo, o catálogo está organizado por tipo de produto, da lingerie aos brinquedos para casal, e as encomendas seguem com envio discreto, o que deixa a escolha ao ritmo dos dois.
Uma regra simples ajuda na primeira compra: combinar o orçamento antes de abrir o site e escolher um único produto, em vez de um cesto cheio. Se resultar, há sempre uma segunda vez.
Fotografia: Nataliya Melnychuk / Unsplash.