São 02:29 da manhã. O colchão é duro e embora eu lute contra elas, as dores nas costas vão aparecendo. Queria dormir. Mas o calor não deixa. Hoje é uma daquelas noites de verão insuportáveis. Ligo a ventoinha, desligo a ventoinha. Abro a janela, fecho a janela.

Nada parece resultar. No meio de tantos problemas, penso em ti. Penso em como seria bom ter te aqui ao meu lado. E penso também no calor com que ficaria se aqui estivesses. Mas a tua companhia suportava qualquer outra coisa. Como sempre. A tua companhia deixa me feliz. E não é uma felicidade daquelas passageiras, é uma felicidade sentida, que se entranha por mim a dentro e me faz sentir viva. Vi-va. Sim, viva. Eu até explicaria o que isso é mas neste momento não encontro palavras para descrever esse sentimento. Aliás, esse estado de ser, se é que me entendes.

“Oh sim vocês não sabem, mas nesta minha cabeça o espaço está esgotado a maioria das vezes.”

Considero me daquelas pessoas, que são felizes com pouco. Amor e saúde. Amor e saúde para mim é o essencial. O resto vem na bagagem. Nas malas que vais fazendo ao longo da tua vida. Umas mais pesadas que te dão mais dores de cabeça, outras mais leves que te fazem sonhar… E eu sonho. Sonho acordada. E a dormir também, quando conseguir calar todos estes pensamentos que gritam para que lhes arranje um quarto na minha cabeça. Oh sim vocês não sabem, mas nesta minha cabeça o espaço está esgotado a maioria das vezes. Às vezes entre a ementa do jantar e a roupa que vou vestir, lá se encontra um pensamento mais puro e ousado. Mas isso é só às vezes. E o meu às vezes é raramente. Outra coisa rara são as horas. Que vão passando e eu não dou por elas, a única coisa que reparo é nos números a andar. São 02:51. O colchão é duro. E eu? Eu estou aqui a pensar em ti.

Imagem de capa: Dmitry A, Shutterstock

PORInês Carvalho
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